As Cinquentinhas

ciclomotores

Com cara de motocicleta, os ciclomotores são a aposta das fabricantes de motocicletas no Brasil e a dor de cabeça para a fiscalização de trânsito nas cidades.

A principal característica que define um ciclomotor é o motor de um cilindro e a velocidade que, por lei, só pode chegar a 50 km/h. A potência vai de acordo com o fabricante.

Por definição, os ciclomotores estão mais próximos das bicicletas motorizadas do que das motocicletas, isto porque seu sistema elétrico é mais simples e não é feito para ser potente ou realizar longos percursos. Por este motivo, o licenciamento é opção do município, alguns exigem o emplacamento, outros não.

Contudo, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), não é permitido dirigir um ciclomotor sem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e sem capacete. O principal problema enfrentado pela fiscalização é monitorar o trânsito dos ciclomotores não licenciados. Pois, com a ausência de uma lei específica e sem emplacamento, os condutores se sentem livres a descumprir a regulamentação de trânsito, ultrapassando os sinais vermelhos e estacionando em locais proibidos, uma vez que não podem ser multados.

E para ajudar a deixar os fiscalizadores de cabelo branco, a venda de ciclomotores não para de crescer. Segundo estudo da Abraciclo, só no ano de 2010, as empresas associadas produziram 35.084 ciclomotores, uma média de 2.923 cinquentinhas por mês.

Vantagens dos Ciclomotores

ciclomotor

O motivo não é difícil de descobrir. Os ciclomotores são econômicos, rendem cerca de 40 km/l, exigem baixa manutenção e são mais baratas que as motocicletas, custam entre R$ 2.000,00 reais e R$ 4.000,00 reais. É a melhor opção para quem precisa se deslocar a curtas distâncias sem ter que gastar muito em passagens de ônibus, combustível ou em um veículo.

Segundo o Globo Esporte, a Kasinski tem o ciclomotor mais potente atualmente, com 3,5 cv. Entre as mais vendidas, além da Soft 50 da Kasinski estão também a Traxx Star e a Dafra Super 50, com tanque de 10 litros, o maior da categoria. Esta vem ainda com sistema CDI (Ignição por Descarga Capacitiva), que lê a marcha engatada e faz o corte da ignição quando a velocidade atinge 50 km/h. Com isso é possível aproveitar a potência do motor em cada marcha sem, contudo, desrespeitar a legislação.

Ciclomotores uma história e um novo mercado

O primeiro ciclomotor a rodar no Brasil foi a RD 50 da Yamaha motos, fabricada em 1975. Antes disso, porém, já haviam bicicletas motorizadas, da Caloi e Monark. O que hoje parece novidade entre os anos de 70 e 80 eram comum no Brasil ver bicicletas motorizadas com até 49 cilindradas.

Atualmente as principais marcas de motos, Honda, Yamaha e Suzuki não fabricam mais ciclomotores, somente motos e scooter’s a partir de 100 cilindradas, abrindo um vasto mercado para que as marcas novatas conquistem uma boa fatia de mercado.

Não é a toa que a Dafra e a Kasinski tem ganhado destaque nos últimos anos, se não da para competir no “mar vermelho de águas agitadas e repleto de grandes tubarões” das motos de média e alta cilindrada é possível encontrar um “oceano azul cheio de peixes” entre as cinquentinhas.

É o que ambas as marcas “brasileiras” vem fazendo, investindo nas motos de baixa cilindradas, sejam elas ciclomotores ou motos street, disponibilizando uma vasta opção em modelos bem equipados que se diferenciam das motos japonesas pela quantidade de coisas que oferecem, porque para o brasileiro menos não é mais!

Os motores de dois tempos da RD 50 ficaram para trás, os ciclomotores modernos já são equipados com motores de 4 tempos, refrigerados a ar e alimentados por carburador o que desperta o interesse dos consumidores por este veículo de duas rodas econômico, barato e confortável. Principalmente na região nordeste onde as cinquentinhas vem disparando suas vendas.

Dafra e Magazine Luiza, uma parceria, várias cinquentinhas!

Esperta para o crescimento do número de vendas de motocicletas no nordeste, as lojas Magazine Luiza passaram a ofertar o consórcio de veículos de duas rodas. O resultado da campanha foi a venda de 6 mil contratos na região em apenas oito meses.

De acordo pesquisas realizadas pela Abraciclo, a região tem por característica a procura por motos de menor porte e valor, tanto por questões socioeconômicas como pela precariedade do serviço público e engarrafamento nas cidades.

O consórcio Luiza pode ser feito com parcelas a partir de R$ 42,13,00 reais, valor que sai mais em conta que o gasto mensal em transporte público. A Abracilo aponta que, após seis anos, o nordeste ultrapassou o sudeste em número de motos vendidas. Entre janeiro e setembro de 2011, os nordestinos compraram 557 mil motocicletas, contra 528 mil comercializadas no Sudeste.